21 de maio de 2010

É o BOPE.

     Todo mundo tá sabendo sobre a operação da polícia no Andaraí.      Essa semana um cabo do BOPE atirou em um morador do morro do Andaraí. Ele estava no terraço de casa segurando uma furadeira pra prender uma lona, pra proteger a causa das novas ameaças de chuva.
     O policial não percebeu que se tratava de uma  furadeira, e o morador ao fazer um movimento brusco, com a tal, levou um tiro na cabeça e morreu.


  
     Bem, ontem, estive ao lado do caveirão, cheio de cabos do BOP.
     As vezes eu fico me questionando: não sei se defendo ou julgo esses cidadãos. Porque não é qualquer um que tem ato de coragem em enfrentar a bandidagem que está cada dia mais perversa. E o salário... não paga pela vida deles. Tem que gostar muito do que faz, tem que ter um objetivo no final de tudo pra aceitarem a passar pelo que são obrigados a passar. E chegar no final do dia e dizer: Fiz a minha parte pela sociedade.
     Sinceramente não consigo ter uma opinião concreta sobre o que eu acho. Porque ao mesmo tempo que acho lindo tanta valentia (no bom sentido), eu fico assutada e com medo. Não com medo do que eles possam fazer, mas com medo do que podem fazer com eles. Com a vida deles, com a vida de seus familiares.
     As vezes me vejo no lugar deles.
     Quando criança queria ser oficial do exército, entrar em batalha. Quando via os soldados subindo o morro, perto da minha casa, eu ficava ali adimirando e me imaginando no lugar deles, metendo bronca naquele bando de fdp. Morre desgraçados! Rs. Acho que já falei algo parecido em outro post.
     Mas o tempo vai passando, a gente cresce e amadurece as idéias, aprendendo muitas coisas com a vida, e vendo que existem certas coisas não valem à pena. Certos atos de coragem só satisfariam a mim e ninguém mais. Não seria lembrada, daqui 2 anos, do meu ato, por ninguém. Seria apenas mais um soldado, como outro qualquer.
     Enfim... sei que a sociedade precisa destses homens de coragem. Sem eles o RJ estaria insuportável. Só que no final quem é lembrado não são eles, e sim o comandante deles. Mas faz parte.
     Ontem não tive medo do BOPE, apenas preocupação quando vi tantas armas, fuzis, HK. Aff, sei lá como chamam aquelas armas (escopetas? metralhadoras? ahuahauahu não é pra tanto) e prefiro continuar não sabendo. A preocupação era porque eles estavam distraidos ali dentro, conversando desligados, e as armas apontadas para cima, mas era só o caveirão movimentar que a arma mirava para outros pólos, e uns ficavam ali, mirando a cabeça do meu filho. Mas tudo bem. Deus protege na hora certa.
     E eu senti uma pena de um dos cabos, aquela vontade súbita de descer do ônibus e entrar por aquela porta traseira totalmente aberta e puxá-lo lá de dentro e pedir pra 'por favor, não vá!'. E ele tava com um olhar tão... tão... carente de ajuda, conselho, mas com um risinho de que "sou valentão!".
  
     OBS.: Antes que pensem que eu tava dando mole pro cabo, ou vice versa: não! Ninguém tava dando mole pra ninguém. Ninguém afim de ninguém. São apenas situações que passam pela minha cabeça, e essa situação não tinha nada a ver com paquera ou algo do tipo. Era apenas o extinto protetora que tenho dentro de mim, e que... se ninguém consegue compreender meu jeito de ser, jamais compreenderá minhas palavras. Deixo registrado isso.

Um comentário:

aline disse...

adorei o que vc escreveu eu acredito nesses bravos homens, sei que erros existem e infelizmente em algumas profissões nossa falhas levam a morte isso não podemos mudar..faz parte do nosso show, não lidamos com duplicatas e decoração de interiores,essa é a realizade, errou...fu... aposto que ninguem gosta disso mais é um mal necessario..e quanto vc estar a fim do cabo, vc nao estava é intinto materno mesmo, mais eu bem que gostaria de conhecer um kkkkk