23 de outubro de 2009

ACOLHENDO (Aceitando)

Como disse anteriormente, estou lendo o livro O Amor é o Caminho, de Maria Júlia Paes da Silva.

De tudo que já li nele, até hoje, contarei uma página deste livro que muito me emocionou.


ACOLHENDO (Aceitando)

Voltar para casa



O familiar é muito importante para que possamos entender o paciente e, por essa razão, pode nos ajudar muito na tarefa de reequilibrar e rearmonizar o doente. Assim como pode, muitas vezes, tornar ainda mais complicada uma situação.
Cabe ao enfermeiro permitir que os familiares fiquem próximos do paciente e que toda a família participe daquele momento de hospital, daquele momento de crise. O profissional de saúde não pode, de maneira alguma, negar o núcleo no qual o paciente vive. Todos precisam de atenção e cuidados para poder crescer e aprender com aquela experiência. E para sair dela com mínimo de cicatrizes emocionais.
Lembro-me de uma senhora idosa na UTI, muito querida pelo brilho que tinha no olhar, pela delicadeza dos gestos, pela voz suave. Torcíamos para que ela saísse do seu quadro de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), e ela foi mesmo melhorando. Apesar dos seus mais de 70 anos, ela progredia muito bem.
Quando ela estava para deixar a UTI, presenciei uma discussão entre suas filhas, que diziam não saber para onde levar a mãe. Ambas trabalhavam, uma tinha filhos pequenos, a outra morava num apartamento minúsculo... Como fariam agora que a casa não estava mais preparada para a mãe, quem cuidaria dela? O fato é que a paciente foi ficando pior, pior, até morrer dias depois.
Hoje não consigo negar a relação entre esses fatos. Sei que não ter um lugar para onde voltar pode, às vezes, ser um bom motivo para as pessoas decidirem morrer.

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